Com base em pesquisas econômicas e até na neurociência, o autor defende que boas escolhas demandam tempo e um olho no longo prazo. Entenda porquê:

Warren Buffet e a procrastinação

O caso mais contundente (e bem sucedido) desta teoria é ninguém mais, ninguém menos que o megainvestidor Warren Buffet. De acordo com o autor do livro, entre outros fatores, o sucesso do CEO da Berkshire Hathaway e dono da terceira maior fortuna do mundo, segundo a lista de bilionários da Forbes, pode estar no hábito de procrastinar decisões.

“Warren Buffet diz que uma chave para o seu sucesso como investidor é adiar decisões(…) Como ele afirmou, ‘Nós não somos pagos por atividade, [somos pagos] apenas para estar certos. O quanto pudermos esperar, iremos esperar definitivamente’”, cita Partnoy no livro.

Resista ao doce e vire um CEO

A ideia que explica a postura cautelosa de Buffet não é exclusiva do homem que detém uma fortuna de mais de 40 bilhões de dólares. Tampouco da espécie humana.

De acordo com o autor, muitos cachorros podem aprender a suprimir suas reações instintivas de abocanhar um alimento por 10 ou 20 segundos em nome de ter uma comida melhor depois. E, acredite, isso pode trazer mais lições para a sua carreira do que você imagina.

De acordo com resultados obtidos em pesquisas feitas pelo psicólogo Michael Mischel, professor da Universidade de Stanford (EUA), o mesmo senso de autocontrole pode ter levado pessoas que resistiram a uma sobremesa no passado a cargos de liderança, no presente.

Segundo ele, crianças que conseguem resistir à tentação de comer um doce para ter uma recompensa maior no futuro têm mais condições de desenvolver uma carreira bem sucedida do que as impacientes.

Para provar isso, Mischel ofereceu um marshmallow a cada criança com uma regra clara: ela deveria esperá-lo sem comer o doce. Se não cedesse à tentação, ganharia como prêmio mais um doce.

Com cenários que mudam (drasticamente) na velocidade da luz, o mundo corporativo demanda profissionais capazes de tomar decisões no mesmo ritmo. Mas esta valorização da rapidez e o foco no curto prazo podem estar induzindo toda uma geração ao erro. Ou pior: reduzindo o potencial de ganho das empresas e tornando a vida das pessoas mais infeliz.

Pelo menos, é o que afirma o escritor Frank Partnoy, ex-investidor do Morgan Stanley, no livro “Wait: the art and science of delay” (Editora PublicAffairs), que deve chegar às livrarias americanas na próxima semana.

Anos mais tarde, em 1981, as crianças que foram mais pacientes apresentaram uma postura mais positiva durante a adolescência. Eram mais motivadas, persistentes em situações difíceis e capazes de atrasar alguma recompensa em favor de seus objetivos de longo prazo. Características típicas de um bom presidente de empresa.

A trajetória antecipada da bola

O que permite que Buffet demore tanto para fazer uma escolha, um cachorro esperar por mais comida e uma criança suportar o martírio de olhar para um doce sem poder comê-lo é a visão de longo prazo.

De acordo com o especialista, a cachorra que ilustra a capa do livro (e não abocanha o biscoito sobre o nariz dela) está o olho no futuro: em prol de uma recompensa melhor, ela posterga o prazer – e dribla os próprios instintos.

Na hora de tomar uma decisão, todas as pessoas deveriam seguir o exemplo dos tenistas profissionais: projetar a trajetória da bola antes de fazer o saque.

Ou assumir uma postura semelhante ao personagem Griffin (Michael Stuhlbarg), do filme “MIB: Homens de Preto 3”, que está em cartaz nos cinemas. No filme, Griffin tem o poder de vislumbrar, no presente, todos os cenários futuros possíveis e quais ações podem desencadear cada um deles.

Mas não é preciso ser vidente ou alienígena para aplicar o hábito de projetar as consequencias de suas decisões atuais no futuro. Bastam estudos consistentes, planejamento estratégico e tempo. Sim, tempo.

A “procrastinação” (se é que podemos chamar assim) de Buffet não é improdutiva, segundo o autor. Enquanto espera o tempo certo para tomar decisões, ele faz de tudo para estar pronto para as negociações.

“Embora Buffet trabalhe constantemente, ele não está constantemente comprando ou vendendo. Ele não reage a tudo que vê. Em vez disso, ele posterga suas reações o tanto quanto é possível. Sua visão de curto prazo é baixa. Ele está focado no longo prazo”, afirma Partnoy em um dos trechos do livro.

Aproveitando que tal procrastinar um pouco, assistindo o vídeo abaixo 😀

Fonte da matéria: http://info.abril.com.br/

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